Tuesday, December 20, 2005

 

Diz-se "ALEIJADINHA" fodasse!!!


Hoje, enquanto esperava, por baixo do Arco da Rua Augusta, por um amigo meu, que já estava uns bons 10 minutos atrasado, um indivíduo colorido (dizer "indivíduo de côr" é tão ridículo e hipócrita, que se é para o ser prefiro sê-lo "à grande") interpelou-me com um sorriso bastante largo e branco e, ao contrário do que se possa pensar, e surpreendentemente, não me apontou nenhuma glock dizendo "gimi all ur money madafaka!", como aliás o seu 50cent look denunciava... nope... este rapaz colorido (era um PRETO para os mais despistados), do qual se destacava largamente o sorriso incolor (porque se PRETO é côr então BRANCO deve ser incolor...I guess), estendeu-me uma máquina digital, e com uma simpatia surpreendente, e atenção!!!, falando um norte-americano muito correcto, disse: "Can you take me a picture please?"... admito que ainda disse mais qualquer coisa relacionada com o facto de se ir embora amanhã, mas já não prestei muita atenção porque estava mais preocupado em perceber o porquê do meu inglês falado saír tão pouco articulado e desenvolto... acho que em toda a conversa só disse dois ou três "Ok"...mas lá tirei a foto ao cova-mourense de Boston que se colocou de costas para a entrada da Rua Augusta, de forma que creio ainda ter conseguido captar a senhora sem pernas e com o tronco disforme que, sentada na sua cadeira de rodas, ali está sempre a repetir o seu irritante pregão "deiam uma esmola à aleijaduínham" (será que ela não consegue dizer "aleijadinha"?! porque será que toda esta gente que pede esmolas parece sempre fazer de propósito para dizer mal as palavras que descrevem a sua condição?! ...não há uma vez que eu não passe por ali, a ouça, e não diga para mim "DIZ-SE "ALEIJADINHA" FODASSE!!!"...quando ela falar correctamente dou-lhe esmola...até lá lixa-se!)... então o rapaz "arco-íris" lá se reaproximou, empunhando novamente o tal sorriso e não uma qualquer butterfly, pegou na máquina e, depois de balbuciar mais meia-dúzia de palavras, lá disse um civilizadíssimo :"Cheers"...confesso que enquanto via afastar-se aquele blusão super-size, com as baggy trousers dependuradas sobre umas Timberland castanho claro pensei... "olha aí está um preto simpático! nem sequer me privou das minhas posses nem nada... talvez lhe deve-se ter pedido desculpa por aquela cena da escravatura lá na América...pronto, deixa lá... eles agora vingam-se com o Hip-Hop."

Monday, December 19, 2005

 

Espaço em branco...I just can´t get enough of it!


Nada me assusta mais que um espaço em branco... um espaço em branco para mim... usar e abusar de tudo aquilo que não está preechido... apenas uma marca e surgem os porquês... nada se faz ao acaso... o acaso não existe por acaso... que necessidade esta de nos vomitarmos para todos os espaços em branco... coragem ou cobardia esta obsessão pelo vómito? esta obsessão pelo espaço em branco como depósito, como saco de boxe? porque nos enchemos de nós e temos de nos jogar fora constantemente... e procuramos esse espaço em branco por todo o lado... e criamo-lo por todo o lado... um espaço onde armazenar a nossa lixeira interior... uma folha de papel...um ouvido, uma tela, um instrumento, algo que possa partir! só me quero reciclar...porque nascem e crescem muitos "eus" dentro do "mim"... e este não tem espaço para tantos "eus"... espalho-os, jogo-os fora, livro-me deles, vendo-os, reprimo-os e deixo-os escapar disfarçados... adubo o mundo com "eus" que o "mim" não quer mais... e despercebido e desconsiderado o branco do espaço partiu... mais um que não teve escolha... vítima da sua falta de vontade própria afogou-se nos meus "eus"...não te vou agradecer "branco"... nunca dependeu de ti...

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